Tenho andado ausente dos blogues e das redes sociais. Confesso que me sinto desanimada com algumas ideias e atitudes que vejo à minha volta, tanto no mundo virtual como no real. Algumas pessoas ou têm memória curta ou são hipócritas, ou têm realmente muito medo ou uma pedra no lugar do coração...
Estou a falar do drama dos refugiados na Europa. Sim, eu sei, toda a gente fala nisso. Eu também já falei na minha página de facebook,
aqui, pois acho que este tipo de coisas deve ser falado e não devemos fingir que nada se passa. Mas depois vi o que algumas pessoas são capazes de pensar e falar e decidi afastar-me.
Actualmente, prevê-se que Portugal acolha 3074 refugiados. Multiplicam-se as palavras de boas-vindas, mas também as palavras de ódio, medo, etc.
Decidi partilhar hoje este texto que vi no blogue
Cocó na Fralda, uma vez que traduz exactamente o que eu penso acerca desta questão.
Espero melhores dias e melhor disposição para me dedicar mais à blogosfera...
"Um Homem é um Homem. Um Homem a morrer afogado é um Homem. Mesmo que não seja refugiado a sério, mesmo que até tenha acabado de matar outro Homem. Um Homem a morrer afogado é um Homem, e primeiro salvam-se vidas, depois trata-se do resto.
Há oportunistas, haverá potenciais terroristas, há fanáticos religiosos. Haverá. Mas primeiro salvam-se vidas, depois trata-se do resto. Quando um Homem está a morrer afogado não há tempo para lhe perguntar se aceita a nossa liberdade religiosa, a nossa igualdade, a nossa Democracia.
A nossa religião, para os que a temos, ensina isso, mesmo a quem não comunga. A nossa Democracia, que é mais do que votar, depende isso.
Primeiro salvam-se vidas, depois trata-se do resto.
E o resto não é pouco. Claro que não podem todos ficar. Claro que ter missões de salvamento junto à costa é promover maiores fluxos. Claro que por cada asilo concedido se promove maior tráfico de Homens. Mas agora há Homens a morrer. Primeiro salvam-se vidas, depois trata-se do resto.
Não, não há lugar para todos. Não, não é possível abrir as portas e deixar entrar e ficar quem quiser. A emigração tem de ser controlada. Claro que tem. Mas um Homem a morrer afogado é um Homem.
Claro que há mais sofrimento no Mundo. Provavelmente gente mais justa, gente melhor, gente mais pobre e miserável. Pois há. E não os vamos salvar todos. Pois não. Nem quero. Ou melhor, sei que não é por querer que se resolve, nem é por se querer que é possível. E desejar o impossível pode ficar bem, nas não serve para quase nada.
Mas um Homem a morrer afogado é um Homem.
E, se um dia, uma destas vidas salvas se explodir no meio de nós, se um deles se radicalizar e matar outros Homens, ainda assim teremos feito o correcto, o que é justo.
Eu prefiro morrer um dia num metro em Londres, morto por uma bomba, a deixar morrer um Homem porque tenho medo de um dia ter medo dele.
E, sim, pago a minha quota-parte extra. Digam-me onde a entrego."
Henrique Burnay
Daqui